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28 DE SETEMBRO, 2015
Esquadro e Frida
POR REGINA GOUVEA
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Detalhe da pintura “Autorretrato“, de 1937, de Frida Kahlo. Reprodução.
Há músicas que nos dão arrepios. Não importa o tempo, toda vez que ouvimos sentimos a mesma emoção. A música esquadros da Adriana Calcanhotto é uma delas. Como não prestar atenção às cores do mundo visual e emocionalmente. Se são cores de Almodóvar e Frida Kahlo então, impossível não sentir na pele, melhor, nas entranhas toda energia e força. Importantes ícones culturais de personalidade marcante e contestadora, ambos utilizaram as cores fortes como presença constante em sua arte. Com a proposta de expressar sua cultura e sentimentos, numa fusão entre o fato e a ficção, a obra de ambos ultrapassou as fronteiras geográficas de sua origem envolvendo e arrebatando admiradores e seguidores de muitos cantos. Se o cinema de Almodóvar provoca e instiga enquanto desperta os sentimentos mais guardados do espectador, as telas de Frida, abarrotadas de simbolismo de uma arte visceral, inspiraram e seduziram. Mais do que isso Frida ainda hoje inspira e seduz como símbolo de coragem, força e resistência.

Uma referência de ousadia e pioneirismo entre as mulheres. Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón , seu verdadeiro nome, deixou um grande legado na história com sua obra artística. Admirada pela coragem frente aos sofrimentos físicos e morais, sua alegria de viver e seu pioneirismo fizeram dela uma lutadora incansável por suas ideias politicas e pela liberdade de expressão e opinião. Uma artista singular e uma mulher plural, Frida foi uma das primeiras pintoras conhecidas mundialmente e símbolo da força e independência do universo feminino. A artista Mexicana estava muito à frente de seu tempo não sucumbindo ao padrão de beleza hollywoodiano de sua época, impondo seu próprio estilo e criando uma personalidade única. Utilizou aspectos de seu corpo que fugiam muito aos padrões da época para caracterizar sua identidade e autenticidade.

Não importava a ocasião que fosse, ela não sucumbia a outros estilos e mantinha o seu jeito próprio de se vestir. Isso a ajudou a criar uma figura forte, que inspirou muitos estilistas ao longo dos anos exercendo uma grande influência na moda. Alguns chegaram a dedicar coleções inteiras com inspiração em suas saias longas no estilo tehuana, da região de Oaxaca, no Sul do México, os corseletes e as flores no cabelo. O estilo tehuana, região onde predomina o sistema matriarcal, também pode ter sido a maneira encontrada por Frida para se impor e se manter altiva em um relacionamento marcado pelas traições de Diego Rivera, seu marido.

Por outro lado, os bordados coloridos, as flores delicadas, as rendas e as tranças, que lhe conferiam um visual alegre, foram sendo cada vez mais incorporados à medida que seus problemas de saúde se agravavam. Impossível não associar Frida a cores, inspirada por sensações que cada uma delas lhe transmitia. Em seu mundo interior de solidão e dor ela estabeleceu um pacto de relação entre as cores, suas emoções e sentimentos com a arte impregnando suas telas de um simbolismo quase mágico, beirando o surreal, embora não aceitasse o título de surrealista. Ela atribuía as cores um significado especial que utilizava em suas pinturas. Em trechos de seu diário pessoal encontram-se os significados. Transcrevemos da forma como ela transcreveu. Dessa forma é possível viajar até a alma da artista de forma clara e transparente.

"El verde: luz tibia y buena.
Café: color mole, de hoja que se va; tierra.
Amarillo: locura, enfermedad, miedo. Parte del sol y de la alegría.
Azul cobalto: electricidad y pureza. Amor.
Negro: nada es negro, realmente nada. Verde hoja: hojas, tristeza, ciencia. Alemania entera es de este color.
Amarillo verdoso: más locura y misterio. Todos los fantasmas usan trajes de este color... cuando menos, ropa interior.
Verde oscuro: color de malos anuncios y de buenos negocios.
Azul marino: distancia. La ternura también puede ser de este azul.
Magenta: ¿sangre? Pues, ¡quién sabe!"

Fonte: El diario de Frida Kahlo. Un íntimo autorretrato

Quando escolhemos uma cor para vestir a nossa casa vale a pena tentar entender algumas coisinhas dentro de nós e o porquê da escolha. Cor é expressão, é significado, é sentimento, é cura e é personalidade. Lembrem-se que existe uma tendência a determinadas cores todos os anos, escolhida pelas empresas do ramo da moda e decoração mas levem a própria identidade como referência na hora de escolher a cor ideal para o lugar onde vivem ou trabalham. Sem essa de ser escravo da moda, afinal tudo passa até a mania de uma determinada cor por algum tempo.
Eu ando pelo mundo prestando atenção/ Em cores que eu não sei o nome/ Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo/ Cores...
ADRIANA CALCANHOTTO
Retrato de Frida, por Nickolas Muray, 1939
CATEGORIAS: Arquitetura, Arte, Cultura
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