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05 DE ABRIL, 2016
Produção fotográfica de um ambiente
POR REGINA GOUVEA
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Ambiente externo fotografado ao fim da tarde por Ricardo Raggi.
A casa não vive somente no dia a dia, no curso de uma história, na narrativa de nossa história. Pelos sonhos, as diversas moradas de nossa vida se interpenetram e guardam os tesouros dos dias antigos. A imagem da casa se torna a topografia do nosso ser íntimo. Nossa alma é uma morada. E, lembrando-nos das casas, dos aposentos, aprendemos a morar em nós mesmos.
GASTON BACHELARD
Vestir a casa com identidade própria, protagonizar a decoração e ser coautor na criação de um ambiente é coisa séria! Mas a gente gosta muito de fazer isso pois se trata de um desafio criar uma ambientação com a cara de quem vive no espaço. Longe de buscar modismos ou tendências a produção de um ambiente exige alguns cuidados. É importante conhecer a história, os hábitos e as atitudes de quem vai morar no lugar. Para criar um espaço que faça bem é necessário viajar ao interior de quem vai viver naquele lugar. Toda vez que vestimos uma casa para fotografá-la vamos em busca de objetos, peças, mobiliário que tragam personalidade e identifiquem os seus moradores. Gostamos muito também de garimpar o que as pessoas já possuem. Encontramos objetos, móveis e acessórios que fazem parte da memória afetiva do cliente e contam muito da sua história. Algumas vezes basta repaginar peças, dar um ar de novidade a elas ou criar um diálogo com peças atuais para que ganhem alma nova sem perder suas características iniciais. Na maioria das vezes o resultado é positivo pois em contato com algo especial as pessoas relembram momentos e sensações toda vez que se relacionam com aquela peça. Isso é bom! Decoração precisa emocionar e trazer boas lembranças. Ninguém gosta de ficar numa casa impessoal e o pior com a cara de quem decorou. Mais perturbador ainda é quando ela se reproduz em série. Todos os amigos vivem num lugar que parece o mesmo. Não tem graça nem fazer visita, nada muda!

A mescla de elementos numa obra é tão natural como a mistura das pessoas que a habitam. São culturas distintas, desejos variados, manias diversas, todos misturados num caldeirão de possibilidades. Uma verdadeira alquimia de impressões que se juntam na criação de um novo projeto. O resultado para o cliente surpreende na maioria das situações pois ele pode vivenciar a casa como um cenário, do qual faz parte os seus desejos mais guardados. O olhar do fotógrafo, como uma pessoa alheia ao ambiente, também é parte do processo. Fundamental que conheça um pouquinho do profissional que decorou ou construiu assim ajuda na hora dos cliques. Ele mostra aquilo que mais nos instiga e apaixona. Ele estabelece imediatamente um vínculo com o lugar e passa a observar suas sutilezas e momentos. Um batalhão de colaboradores, parceiros e profissionais se envolvem na elaboração da produção.

São muitos detalhes e olhares para que possamos trazer ao cliente a possibilidade de ver materializada suas aspirações. O resultado é sempre surpreendente! Primeiro eles se impactam com as fotos pois vislumbram os ambientes pelo olhar das lentes com efeitos de iluminação. Em outros momentos revelam-se instantes que passam despercebidos no dia a dia, a descoberta de objetos que se relacionam com memórias fortes ou novos que lhes despertam desejos. Um exercício de experiências sensoriais que levam os clientes ao instante da primeira conversa com o Arquiteto. É o momento mágico em que descobrem que cada detalhe mencionado na anamnese não foi esquecido, ao contrário, todas as falas e impressões foram registrados. Trata-se de uma cerimônia de entrega da obra bastante significativa, a materialização das ideias. Nesse instante a casa ganha alma, como se um sopro de vida dos novos moradores passasse a respirar nela lhe trazendo vida. Clientes e casa passam a coabitar.

Há um texto de Gaston Bachelard que define bem esse instante: “A casa não vive somente no dia a dia, no curso de uma história, na narrativa de nossa história. Pelos sonhos, as diversas moradas de nossa vida se interpenetram e guardam os tesouros dos dias antigos. A imagem da casa se torna a topografia do nosso ser íntimo. Nossa alma é uma morada. E, lembrando-nos das casas, dos aposentos, aprendemos a morar em nós mesmos.” Nesse instante o arquiteto percebe que cumpriu com o seu papel e parte para um novo projeto. Tudo de novo: conversas, muitas conversas até decifrar pessoas e desejos mas nunca uma casa é igual a outro. Isso é muito bom!
No clique do fotógrafo Ricardo Raggi surge a imagem. Projeto: Arquitetura & Interiores por Regina Gouvea.
No clique do fotógrafo Ricardo Raggi surge a imagem. Projeto: Arquitetura & Interiores por Regina Gouvea.
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